Caros Amigos

Trabalho num escritório de advogados. Sou amiga do Vale de Acór há muitos anos. É um gosto ir àquela casa. Sinto que as pessoas de lá são amigos próximos, para além das meras afinidades habituais.

Depois, é um sítio bonito, cuidado, onde apetece estar. Na verdade, nunca me senti longe daqueles rapazes e raparigas, pois podia ser eu, a minha história.

No Vale de Acór uma das coisas que mais me marca é a Festa de Graduaçõess.É a festa dos que acabam o percurso terapêutico-educativo. Assisti a duas ou três e foi a coisa mais parecida que vi com o que imagino ser "chegar ao céu". Ver as famílias, os amigos que esperaram, sabe-se lá quantos anos, para que aquele rapaz, primeiro aceitasse tratar-se, depois aceitasse permanecer no programa, vê-lo cair e retomar, tantos deles vezes sem conta. E agora “a festa” chegou! Acabou o programa, pode recomeçar a "viver". É comovente, e dá-me imensa esperança para recomeçar eu também, no meu dia a dia.

Quando uma vez no escritório falávamos sobre onde iríaamos fazer o Jantar de Natal, pois sendo um Jantar de Natal, não queriamos que fosse a "típica festa de empresa", sempre igual, veio-me ao coracão o Vale de Acór. Era um sítio bonito, com gente amiga, com os rapazes que nos podiam dar muito, e nós também, talvez, qualquer coisa a eles. Então propusemos-lhes fazer o nosso Jantar de Natal com eles. Não "na instituição deles", mas com eles, rapazes e raparigas em tratamento e respectivos colaboradores da casa. O nosso jantar seria também o deles. Aceitaram com uma condição: eles faziam o jantar e tratavam de tudo. Foi quando nos lembrámos de oferecer-lhes (e a nós!) um concerto de Natal. Um dos nossos sócios é casado com uma pianista que convidou um amigo violinista e um violoncelista, (com uma carreira internacional e renome). E assim inaugurámos o primeiro jantar de Natal com uma magnífica sonata de Schubert (opus 100), seguida de um maravilhoso jantar num ambiente acolhedor e Natalício. Todos gostámos imenso. Incluindo os músicos que diziam: “gostámos tanto de tocar aqui, aqui ouvem-nos com o coração". Há cinco anos que se repete este jantar, não porque "se repete" mas porque ninguém ainda encontrou um sítio ou um programa que "apetecesse mais fazer". Os próprios músicos, num ano em que fizemos o concerto fora, por razões de angariação de fundos, pediram-nos para ir ao Vale de Acór tocar, porque "lá é outra coisa"!

Desta aventura do Jantar de Natal juntos, nasceu outra. Devido aos cortes orçamentais que deixaram a Associação na iminência de fechar, “pensámos: porque não fazemos o concerto fora do Vale de Acór e vendemos os bilhetes para ajudar no fundraising?” E assim, juntamente com várias entidades que se associaram, começou a aventura das "Grandes Galas de Solidariedade", que temos feito há três anos e que esperamos repetir este ano.

E assim tem sido. O que temos conseguido, é como uma gota de água no oceano, mas nós sentimos a exigência de ajudar o Vale de Acór porque com o tempo, já é uma coisa também nossa, que faz parte de nós.

A nós, advogados, o Vale de Acór aproxima-nos de uma parte da sociedade que tantas vezes não aparece pela sua humanidade e beleza mas por razões bem piores. Espero que estes rapazes e raparigas em recuperação também levem algo de nós.

Na história da nossa relação com o Vale de Acór surgiram também parcerias de reintegração de alguns rapazes no mercado de trabalho. Parcerias estas que a nosso ver são histórias de sucesso.

Esta é a minha história de relação com o Vale de Acór. Invista também na sua!

  • Amiga e Voluntária - 2013

Mais testemunhos:

  • Maria Durão +

    Caros Amigos Maria Durão, vocalista dos Simplus, trabalha actualmente no Vale de Acór onde acompanha toxicodependentes e alcoólicos em recuperação. É um mundo onde a misericórdia se vê em cada olhar. Maria Durão - Vocalista dos Simplus - 2016 Saber mais
  • Sofia Gouveia Pereira +

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  • Pedro R. +

    Caros amigos A história que tenho para vos contar tem como objectivo despertar consciências e abrir os corações para a realidade. Nada tem a ver com números ou estatísticas e nem sequer é de caracter informativo. Esta história visa, antes de tudo, as pessoas: os pobres e aqueles que trabalham para os salvar; aqueles que acompanham o dia-a-dia dos que Saber mais
  • José A. +

    Nasci no dia 8 de Setembro de 1961. Tenho hoje 47 anos. Cerca de 18 anos da minha vida, quase metade, foram vividos na prisão. Apanhei a primeira bebedeira com 7 anos. Com 10 anos bebia regularmente. Comecei a consumir drogas com 14 anos. Com 17 estava agarrado às drogas duras. Abril 1978, 16 anos, Espanha. Fui preso pela 1ª Saber mais
  • Comunidade do Noviciado dos Jesuítas +

    “Um vale é muito mais que um nicho esgravatado na terra. Assim afundado nessa paliçada de pedra, o homem pode descobrir essa outra defesa que é ter raízes no céu, mais que na rocha. Estendido no colo do chão, o homem vê-se levantado para lá do pó de si. Com diria o nosso Xavier: “Para Deus sobe-se descendo”. Obrigado por Saber mais
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